domingo, 30 de maio de 2010

Quando o professor se transforma em ídolo das crianças


Seu filho fala dele com carinho e admiração e vive querendo lhe dar presentinhos. Essa adoração pelo professor ou professora chega a deixar muitas mães enciumadas, mas é esperada nessa idade e muito produtiva. “O aluno enxerga o professor como um ídolo, a pessoa que satisfaz sua necessidade e sede de conhecimento”, diz a psicopedagoga Neide Noffs, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Identificação

Esse encantamento é reflexo de um comportamento natural no processo de desenvolvimento. “A criança identifica-se com pessoas com as quais convive e que têm para ela um significado especial. Passa, então, a imitá-las. Assim ocorre a passagem do conhecimento de um indivíduo para o outro”, observa Maria Luiza Teixeira, professora de psicologia do Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).


Ness fase, a criança exercita o pensamento lógico, faz ligação entre uma idéia e outra e já tem maior noção da realidade. É quando ela desata a querer saber o porquê de tudo. Em casa, nem sempre os pais têm tempo, paciência e mesmo conhecimento para chegar até o último “por quê?” do filho com uma resposta na ponta da língua.

Felizmente para o pequeno curioso existe o professor, que foi preparado e dispõe de instrumentos para auxiliá-lo a mergulhar com toda a vontade nesse sedutor mundo de novas coisas a descobrir e conhecer. “Ele se apaixona por aquele professor que sabe se mostrar disponível e atento para suas exigências”, diz Neide. Portanto, se seu filho está encantado com o mestre, festeje: é sinal de que ele está muito estimulado a aprender.

Sem ciúme

E você não precisa ficar enciumada. “A identificação é um processo amplo. Há lugar para os pais, os professores, os ídolos, os amigos e muitas outras pessoas que conviverão com a criança por sua vida afora”, diz Maria Luiza. Os pais são as primeiras figuras significativas para a criança e sempre serão uma referência, mesmo que, em alguns momentos, tenham a impressão de que foram substituídos.

Hora da separação

O primeiro professor a gente nunca esquece. Mas progredir na escola implica trocá-lo por outros mestres. Esse momento pode ser de muita tristeza para a criança, pois, daqui em diante, o aprendizado escolar não estará mais centrado na ligação afetiva com uma só pessoa. “Os pais devem assegurar à criança que ela irá encontrar outros professores tão legais quanto esse”, diz a psicóloga Maria Luiza Teixeira. Desta forma, ela se sentirá segura para se identificar com outras figuras igualmente importantes no seu processo de desenvolvimento.

Fonte: CRESCER

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Educação Inclusiva - Percepções



As crianças e demais pessoas envolvidas, refletem a postura, olhar, a ação do mediador que está com elas.

O exemplo disso, são os feedbacks que as próprias crianças nos fornecem no dia a dia, inclusive pontuando nossas falhas ou nos chamando atenção para o que não tínhamos observado, basta apenas escutá-los...

Cabe ao profissional , sustentar um novo olhar, que reconheça as crianças como sujeitos, especialmente as com deficiências, deslocando-as do lugar onde o discurso médico e parental as situou.




Algumas observações:

Na minha experiência, muitas crianças com deficiência numa sala, realmente dificultou o desenvolvimento trabalho com maior qualidade, devido a sobrecarga de diversidades nas demandas.

Talvez com um número menor , o trabalho poderia ter sido desenvolvido de forma diferenciada, pois materiais para estimulação específicos, se não forem adquiridos, necessitam de tempo significativo para serem elaborados.

Continuo questionando a inclusão em período integral, para algumas crianças que necessitam de apoio Pervasivo ou Extensivo em várias áreas.

Penso que não existe nenhum trabalho técnico , profissional ou individual, que substitua a riqueza da convivência entre todas as crianças.

Mas considero muito importante que exista um programa paralelo que possa favorecer crianças com necessidades muito específicas ou que apresentem muita dificuldade nos relacionamentos interpessoais.

Precisamos descartar um certo narcisismo profissional que ao invés de promover a inclusão, poderá estar mais próximo de um ato de agressão.

Percebi, na minha experiência, que em vários momentos, algumas crianças , com necessidades de apoio Pervasivos, pareciam estar muito bem no grupo, especialmente durante a recreação, atividades com músicas, artes, sala de estimulação, ocasionalmente durante o horário de refeições.

Em outros momentos como por exemplo os que exigem um desempenho intelectual mais significativo, observo que estão completamente excluídas ou mesmo desconectadas com o meio.

E se “ não podem interagir, compartilhar, aprender e competir lealmente com seus pares, crescerão com a auto - imagem de ser sempre o último, o que não pode, o perdedor...evitemos assim que os pequenos com deficiências mais fortemente afetados, se deparem cotidianamente com situações que não podem resolver” ( Educação Inclusiva do Projeto Estadual de Mudança de Sistemas para a Educação Inclusiva da Louisiana.95)

Se por um lado, observo um “furor reabilitador”, agora voltado para a inclusão. ”A aparição da impossibilidade de renúncia, em nosso meio de trabalho. As exigências de perfeccionismo que incrementam as dos pais. Assinalamos que o risco de desconhecer e não se encarregar dessas verdades, entre as quais transita nossa ação , equivale a condenar - se a uma mecânica amestradora.” (Alfredo Jerusalinsky .1988 pág. 195)

Por outro , observo muitas escolas e profissionais da área de saúde mental e Cia, congelados frente a possibilidade da simples reflexão sobre o assunto, sendo que é um direito não questionável. Com o discurso sempre impecável repleto de “mas”, que sustente a co-dependência real que existe nessa área, quando na realidade , não estão preocupados com as crianças, mas temem perder a função, seu emprego, sua identidade profissional ,rever posturas e paradigmas internos...

Isso é difícil? realmente é... é um processo que exige mudanças profundas, grandes transformações...

Pelo menos hoje, já temos os dois lados, a questão é encontrar o equilíbrio entre eles...

Ainda bem , que algumas escolas já conseguem perceber a possibilidade que a inclusão oferece de ampliar o campo de atuação...

Alguns professores,

tanto os de classes comuns, como os das " especiais" percebem que estarão crescendo e se desenvolvendo com essa nova proposta. O professor da sala especial será o consultor de todas as outras salas, seu campo de trabalho irá ampliar!

Teremos apenas especialistas em relacionamentos humanos, em pessoas.

O mesmo ocorre em empresas, com a contratação , de pessoas com deficiência em seu quadro de funcionários. Todos ganham com isso!

A realidade no futuro é um comprometimento da sociedade civil - Empresas Socialmente Responsáveis"( revista Exame/98) Empresas admitindo pessoas com deficiência pelo seu valor e produtividade, não por causa de leis.. que podem gerar mais exclusão nos ambientes...

Consumidores mais exigentes, escolhendo empresas, que tem efetivamente ações, no dia a dia de cidadania corporativa e crescimento social de nosso país.

A partir daí, outros caminhos poderão ser possíveis, tanto em relação aos pais, escolas, como os futuros reflexos na comunidade.

Vale um Alerta !

O que me preocupa muito nesse percurso , são algumas frases como “ para com os estudantes com distúrbios de comportamento o professor deverá -> Aplicar técnicas de modificação de comportamento, ignorar comportamentos inadequados, focalizar os pontos bons e elogiá-los...” que apesar de ser uma tentativa na busca de soluções para os conflitos dos profissionais perante a inclusão, pode desconsiderar o próprio sujeito, pois já não se acha presente a partir delas. Não existe regras, pois cada sujeito é único, singular...

O perigo existe pois são “...técnicas que constituem verdadeiras resistências serviço da evitação do contato do profissional com o real disforme, lento... ou imóvel de sua prática...

Ou não se suscita em nós, como nos pais, a fronteira com o sub-humano? Também se mobilizam essas imagens em nós... Não estamos isentos do desgosto e da angustia, na aproximação com as crianças. Por isso desconfiamos do altruísmo... ”(Alfredo Jerusalinsky .1988 pág. 195)

Os sentimentos precisam ser conversados, os pontos fortes aprimorados e os fracos observados e revertidos como desafios, oportunidades de melhoria.

Os relacionamentos necessitam ser trabalhados e não ignorados, pois como pode uma pessoa aprimorar sua capacidade de se relacionar com o outro, se não tiver feedbacks do meio?

Por isso, eu pergunto:

ESTAMOS REALMENTE ESCUTANDO AS CRIANÇAS ?

Por isso o trabalho profissional, precisa estar à serviço para que a convivência entre as crianças, seja um processo produtivo, positivo e saudável para todos .

ACREDITE : É POSSÍVEL !



Boa sorte e Sucesso!

Educação Inclusiva - Hipótese após quatro anos...


Itamar Marcondes Farah

Quase todas as crianças descobrem capacidades para atos solidários e cooperativos desde cedo, tornando - se mais compreensivas e tolerantes nas relações com o outro, aprimorando a empatia.

As crianças desenvolvem melhor auto-percepção, verbalizam seus limites, da mesma forma que reconhecem capacidades e progressos em si mesmas e nos colegas, especialmente com deficiência.

Todos do grupo, saem ganhando e se beneficiam com uma equipe multidisciplinar e os materiais de estimulação sensorial e não somente as crianças com deficiências.

Comparando desenhos da mesma criança após um ano, observa-se que a expressão gráfica está mais aprimorada e criativa, demonstrando melhor auto-percepção.

Não se pode pré - determinar a limitação física ou intelectual em sua extensão nas crianças , especialmente as que necessitam de Apoio Pervasivo em todas as áreas. Elas muitas vezes nos surpreendem, com suas conquistas e com a compreensão de fatos e situações. Por isso o cuidado absoluto, em respeitar sempre a criança que está diante dos nossos olhos, perguntando a ela o que quer.

É infinitamente mais fácil trabalhar a inclusão com crianças pequenas e suas famílias, que estão mais receptivas e com padrões de relações menos cristalizados.

O ambiente altamente estimulador, rico , alegre e continente que as crianças normais proporcionam, colaboram efetivamente para o desenvolvimento e ajustamento social de crianças com deficiências. O mediador que tem oportunidade de vivenciar isso, não consegue mais visualizar um futuro para escolas segregadas.

Crianças que viveram um tempo nesse ambiente e depois passam para outro (só normais ou só segregados), infelizmente não terão uma oportunidade contínua de conviver com a diversidade de forma geral, interrompendo o processo. Ao meu ver, uma interrupção lamentável para todos...

Famílias de classe baixa também apresentam preconceitos só que distorcidos em função da falta de informação. A diferença é que estão mais disponíveis para o trabalho , menos coladas a discursos técnicos de técnicos e a supostos padrões idealizados de convívio.

Observa-se que tanto as famílias como as crianças com deficiências apresentam dificuldade em serem tratados com direitos e deveres iguais aos outros. Os prováveis ganhos secundários, por ser deficiente, observados na própria história de vida dessas famílias e crianças, são peculiares na situação da inclusão. O profissional precisa estar a tento a esse fato e colaborar nesse processo de transição.

É vital o trabalho de apoio, com treinamentos e desenvolvimento, com as equipes envolvidas. O papel e olhar do mediador, seja as ADIs ou outro profissional é fundamental para o desenvolvimento de um processo de inclusão pleno.

O mesmo ocorre com as famílias que necessitam ser recicladas periodicamente, onde o foco está na importância da parceria de atitudes e posturas, em casa no cotidiano .As famílias precisam ser sensibilizadas para um olhar diferente, o olhar de possibilidades.

Acredito que essas crianças, serão pessoas melhores e se tiverem oportunidade,

profissionais diferenciados no futuro...

Imaginem , por exemplo, um arquiteto ou engenheiro, que estudou desde pequeno com crianças com deficiências?

Eles conviveram , tiveram a vivência, não apenas leram livros...




Educação Inclusiva



Eu sou a Nina !


No livro "Somos Todos Iguais?", estaremos conversando sobre...

Nossas Diferenças

Nossos Sentimentos

Inclusão
Itamar Farah

Aqui você encontrará na íntegra, o artigo:

Inclusão - Como é isso na prática? Grupos terapêuticos, uma estratégia de suporte para esse processo.

Publicado na revista Temas Sobre Desenvolvimento - Editora Memnon - 1997.Esse estudo, deu origem aos livros " Uma creche Em Busca de Inclusão" (1998) & "Somos Todos Iguais?"(1998) publicados posteriormente.

projeto

conteúdo

Itamar Marcondes Farah

Introdução

Em 1994,iniciei um trabalho no Coepe - Naia , creche conveniada com a PMSP . Meu primeiro grande desafio surgiu a partir da demanda de um projeto de inclusão que nas palavras de Ture Jonsson seria o direito da cidadania de crianças com deficiências frequentarem a mesma classe com seus pares normais

No início, senti a necessidade de buscar mais informações e materiais que pudessem me trazer alguma luz na realização desse trabalho.

Após minhas pesquisas ,

pude verificar que o encontrado estava aquém de minha expectativa inicial. O que encontrei em sua maioria tratava-se de textos técnicos , relatos, jornais ou mesmo livros infantis que apresentavam como idéia básica uma tentativa de esclarecer crianças normais sobre como seriam crianças com deficiências.

O que eu imaginava para este projeto, não era criar somente uma situação de esclarecimento sobre as deficiências para todas as crianças, mas sim pensar na inclusão como algo que passasse de uma maneira mais direta pela vivência de situações, onde pudesse haver uma mobilização afetiva frente a situação, transformações de posturas, procurando desenvolver níveis diferenciados que pudessem ir além da informação.


Os grupos os quais trabalhei, se apresentavam bastante diversificados, tanto quanto a idade, como em relação ao tipo de deficiências. Minha proposta inicial foi a criação do que denominei "Grupinho Terapêutico", que a meu ver seria uma das estratégias de suporte para o processo ao qual eu me propunha. Assim, parti de alguns temas iniciais, para que fossem desenvolvidos.

O objetivo é relatar as observações realizadas em relação as crianças, mas de forma específica na área clínica. Realmente, é na convivência do dia a dia que se torna possível perceber de que maneira lidamos com a inclusão e como as crianças se sentem em relação a essa questão.


Onde Encontrar: Creche Coepe - Centro de Orientação e Encaminhamento ao Pequeno Deficiente / Naia - Núcleo Assistencial Irmão Alfredo - Entidade Mantenedora - Obra Beneficente

Rua Ribeiro do Vale, 120 - Brooklim São Paulo /SP

Fone: (011) 533-7922/543.3286

terça-feira, 25 de maio de 2010

Relacionamentos Virtuais


Simone Mello Suruagy Psicóloga

As coisas andam muito confusas, no campo dos relacionamentos afetivos.

Longe ficou o tempo no qual as famílias decidiam quem podia casar, e com quem. Isso facilitava o problema, pois, se o casamento dava certo, todos se beneficiavam. Se dava errado, havia uma distribuição eqüitativa de culpas: o casal culpava a família e vice-versa.

De qualquer forma, tinham que viver juntos até que a morte os separasse, fossem felizes ou não.

Também ficou para trás o tempo das histórias da Carochinha, onde, após muitos sofrimentos, a Branca de Neve casava e ia ser feliz para sempre. O casamento era uma coroação, uma meta, sem a qual se era discriminado socialmente. O destino traçado de toda moça era casar e ter filhos e o de todo homem, manter a família, o nome e a herança.

Você podia ser viúvo ou viúva, solteirão, jamais, pois isso seria a prova de que algo muito errado havia em sua vida.

Em toda a família, haviam algumas solteironas, as "titias", sempre discretamente ridicularizadas, mas muito úteis para o andamento de tudo. Elas cuidavam da casa, ajudavam com as crianças, faziam promessas para pagar os pecados de todos, e, na velhice dos pais, eram as responsáveis pelos cuidados e doenças e também por fechar-lhes os olhos, quando morriam.

Eram poderosas, sim, e o poder era proporcional à utilidade. Isso todos sabiam e todos usavam, especialmente elas.

O poder dos laços de família, a manutenção dos bens, a autoridade patriarcal, tudo isso tinha um cunho de estabilidade, de permanência inquestionável. E ai de quem discordasse! Romeu e Julieta que o digam!

Por mais distantes que essas lembranças nos pareçam hoje, pertencem a um tempo que durou muito e acabou há pouco.

Depois, veio o tumulto. A roda começou a rodar depressa demais e tudo, literalmente, virou de pernas para o ar.

Inúmeras mulheres hoje vivem sós e jogam as suas energias no trabalho. Virgindade não é mais um tabu, pelo contrário. Ter filhos é uma opção que independe de casamento ou mesmo de relacionamento sexual. Viajam, se divertem, sem que a companhia masculina seja indispensável ou necessária. Mesmo as que nutrem o desejo não satisfeito de ter um parceiro fixo, racionalizam a solidão, dizendo que não encontram namorado porque os homens não querem compromisso, só pensam em sexo ou em outros homens, etc.

Hoje, muitos homens continuam morando com os pais a despeito de serem adultos e bem sucedidos profissionalmente. Não há nada que os estigmatize ou diminua neste fato. É uma opção como outra qualquer, e, se todos concordam, por que não? Aí, mantêm relações afetivas superficiais e dispersas e fogem à qualquer tentativa de aprofundamento na relação, como se tivessem medo ou vergonha. Escolher uma é como se fosse abandonar a liberdade de ter todas e, sobretudo, perder aquele status de eterno adolescente.

Enfim, casamento não é mais um objetivo, e sim algo para o qual todos encontraram os seus derivativos. E, quando ele é inevitável, esta decisão vem acompanhada de dúvidas e questionamentos de toda ordem.

É como se o laço mais importante para manter o compromisso fosse a dependência, sobretudo a econômica. Como essa dependência não existe mais, os laços vão-se afrouxando até romperem de vez.

Cada uma dessas transformações trouxe a sua contrapartida no relacionamento.

Bem, mas também muitos casam e se defrontam com uma realidade de competições, dentro e fora do casal . Os parâmetros familiares se perderam, os pais não sabem mais o que ensinar os filhos em termos de regras morais, o impacto dos meios de comunicação é enorme, eles , sim, ditam as regras.

Os filhos, não tendo limites em casa, continuam sem limites fora ou elaboram com o grupo um código próprio e mutante de valores. Há um enorme avanço tecnológico trazendo uma avalanche de informações que não pode ser digerida pelo próprio volume, mas que todos buscam sofregamente engolir, porque ninguém pode passar por desinformado...É neste mesmo "meio tecnológico" que surge um novo tipo de relação, que é a relação virtual. Aquela que é mas não é, ou é exatamente porque não é, desde que somente a realidade a ameaça.

Vamos ilustrar com alguns casos.

Marta , solteira, 36 anos, era uma líder. No trabalho, ressaltavam o seu raciocínio lógico, o seu preparo técnico, a sua capacidade de estar sempre a frente dos desafios. Com os amigos, era a "mãe de todos", a que congregava, decidia, de quem todos dependiam. Morava só e mantinha com a família laços aparentemente distanciados. O relacionamento dos pais sempre fora caótico, e a decisão de sair daquele convívio foi tomada com alívio.

Namorados, não tinha nunca. Mantinha alguns casos, muito esporádicos, sempre insatisfatórios. Um dia descobriu, nos Chats da Internet , uma pessoa que em tudo correspondia ao se ideal de par perfeito : brilhante, disponível, capaz de manter um diálogo fascinante sobre qualquer assunto.

Passaram a namorar e ela concentrou ali o seu tempo livre. Descuidou-se dos amigos, fez dieta.

Naquele espaço virtual, ela era outra. Apaixonada, sem bloqueios, capaz de fazer planos e convencer a sí própria e ao parceiro internauta que iria cumpri-los. Até que um dia o rapaz, que morava em outro país, declarou que iria conhecê-la pessoalmente.

Todos os medos vieram à tona. Sim, ele veio ao Brasil, mas ela havia arranjado uma viagem de trabalho intransferível. Jamais se conheceram. O grupo, que andava à deriva desde que o romance iniciou, acolheu-a de braços abertos.

Rodolfo era casado há muitos anos. Tinha filhos e netos. Próspero homem de negócios, foi acometido de doença grave e incurável, mas que não o impedia de trabalhar e de estar freqüentemente fora de casa a negócios. Sua esposa não acompanhou o seu crescimento intelectual. Ele conjeturava que , não fosse viajar tanto, não agüentaria aquela mulher que parou no tempo e no espaço, e que só pensava em casa e família.

Bem, o que fazia ele para preencher as longas noites de solidão, enquanto viajava?

Dormir, a insônia não deixava. Procurar mulheres? Tentara isso algumas vezes, mas não dera certo, ele se sentia desconfortável, desconfiado, achava que elas só queriam o seu dinheiro. Foi nesse ponto que entrou a Internet.

As noites passaram a ter outro sabor. Conversava com mulheres de todos os lugares, brilhantes, e a todas encantava com a sua forma firme e romântica de falar. Até certo ponto era sincero, pois contava da doença, dos negócios, da família, da falta de sintonia com a esposa.. E deixava sempre, no ar, uma esperança, uma insinuação de que sua vida tomaria novo rumo, já que havia encontrado, naquele contato, a afinidade que não conhecia. Era um "grande amigo' de todas, ouvia-lhes com atenção, aconselhava, mas jamais chegou a conhecer nenhuma. Quando as coisas tomavam um rumo mais perigoso, era simples, a doença piorara, a família estava com problemas, os negócios...

Mary estava casada há 12 anos . Não tinha filhos, nem faziam falta. Dedicava-se ao trabalho com verdadeiro fervor. Em contrapartida, era admirada e requisitada. O casamento era morno. O marido era um profissional de um renome conseguido às custas de muito esforço. Os fins de semana, as noites, eram dedicados ao trabalho. Era hipertenso e não ligava para a saúde. Haviam adquirido um hábito : após o jantar, ela ia ler ou ver televisão , até adormecer. Ele continuava o trabalho, pela noite a dentro, sem hora para parar. Assim, monotonamente, todos os dias de todos aqueles anos. O relacionamento sexual também era morno, quando muito. Amigos, poucos. Uma vida morna.

Foi quando Mary descobriu que podia, ficando em casa, ter noites muito calientes.

A Internet ocupou todos os espaços: foi-se a televisão, a leitura, a monotonia. Agora, o marido ia dormir alta madrugada e ela continuava, febrilmente, alimentando vários romances ao mesmo tempo. Aquela atividade foi tomando conta de sua vida. No trabalho era assaltada pelo desejo de chegar logo, logo, para ligar o micro e ali ficar, fascinada. Naqueles momentos, ela era tudo o que sua imaginação podia conceber e ela jamais ousara realizar.

A dinâmica do casal mudou. Percebendo que algo estranho estava acontecendo, o marido procurou alterar os horários, conversar, e só conseguiu discussões. Em determinadas horas, ela era tomada de culpa, estava traindo! Chorava, emagrecia, mas não largava o hábito. Até que , um dia, não agüentou a culpa e contou ao marido. Depois de uma tempestade, onde ele também mostrou um lado desconhecido e violento de sua personalidade, tudo voltou ao antigo equilíbrio, com uma diferença: ele estava sempre desconfiado, vigilante, para ela provas de amor e atenção.

Claro está que esses exemplos não significam uma generalização. Os tempos antigos passaram, o avanço tecnológico veio para ficar, e ele coexistirá com toda carência de rumos de nossa época. Novos padrões não significam padrões inexistentes ou inconsistentes, como agora.

Ocorre que o nosso inconsciente esta aí mesmo, ontem como hoje. E ele continuará a fazer o seu trabalho, utilizando tudo em benefício próprio.

Os relacionamentos afetivos podem iniciar em qualquer lugar, inclusive na Internet.

Mas uma relação é como uma planta, precisa de luz para crescer. Que ela saia das sombras e venha enfrentar a difícil e depuradora realidade.

Caso contrário, a Internet representará, cumprindo os propósitos do inconsciente, um enorme útero protetor, onde muitos mergulharão e ficarão, docemente embalados em fantasias, podendo representar mil papéis, sem comprometer-se com nenhum

Instinto Materno


Psicóloga Ana S. Botto

Instinto Materno – Uma Verdade?
“Certo dia , uma mulher de 35 anos nos interroga sobre o seu medo de ser mãe. Profissional estabilizada, não encontrava em si o famoso 'Instinto Materno'. Alguns minutos de prazer e longas horas de perturbação, assim imaginava sua relação com as crianças."

Munidas de identidade social feminina, muito próximas da imagem de Nossa Senhora, eterna provedora e nutriente, as mulheres "apenas humanas" hoje se confrontam com uma ambigüidade básica em relação a maternidade.
Se, por um lado, viver esta experiência é a realização de um investimento pessoal e relacional, por outro as fantasias de perda - depressivas, e de ataque - persecutórias, estão presentes de forma mais ou menos inconsciente, acarretando, em relação a idéia de ser Mãe, uma forte ambivalência.

A procura de uma identidade materna que preexista ao nascimento do filho, acarreta uma frustração que vem sendo o campo sobre o qual, em muitos casos, a mulher se impede de ser mãe.

Este questionamento de forma alguma é inédito em nossa sociedade. Como, no passado, a maternidade era mais uma fatalidade que uma escolha da condição feminina, não havia campo para se exteriorizar estas dúvidas. Ser mulher era uma idéia inseparável à da maternidade, sendo a negação desta vivida como defeito.

Mas, se hoje ser mãe não é mais uma imposição ao papel feminino, ainda está, em nossa cultura, o pré-conceito social da Grande-Mãe. Aquela vocação que seria inata, não mais apenas universal. A mulher que não descobre dentro de si esta "virtude", este "instinto" materno, se impossibilita desta vivência.

Proponho abandonar por alguns momentos este preceito do instinto materno. Não pensem que é tarefa fácil, pois este é mais um daqueles chavões culturais que se inscrevem em nosso pensamento como uma verdade absoluta e inquestionável.

Neste ponto, poderemos inserir uma outra premissa : os laços que vinculam com tamanha proximidade a mãe e o filho, ocasionando uma célula vivida como indissolúvel, é desenvolvido com o tempo da relação. Não há, então, um vínculo, um instinto, que exista anterior ao nascimento.

Pode-se argumentar sobre todos os sonhos que antecederam ao nascimento. Não seriam estes sintomas de um amor, as sementes da relação que está por vir?

A expectativa, na gravidez e mesmo antes desta, são de base projetiva e a criança nasce investida, não pelo "aqui e agora" da relação, mas pelo que se atualizou em sua imagem. É uma expectativa patologizante, caso persista ao nascimento, por não permitir a emergência e desenvolvimento do novo vínculo, sobrevivendo apenas a repetição.

As projeções vão sucumbindo à medida em que a realidade relacional vai- se firmando.

O nascimento é uma caixinha de surpresas, vivida com grande expectativa por seus participantes. O bebê que nasce é uma novidade e um estranho, sendo este o momento zero da relação, o qual possibilita tanto a inscrição paterna, quanto materna, em igualdade.

O novo bebê (conceito que antecede a vivência de filho) é vivido como uma ameaça à qual poderão (ou não) os pais e a família se adaptarem. Universalmente, a primeira busca no corpo deste pequeno ser são os dedos. Contam-se os dedos dos pés e das mãos, realizando a fantasia interna que ali pode ter brotado algo diferente. Como na ficção do extra-terrestre - o "E.T." de 3 dedos.

Este novo bebê vem munido de tudo que é necessário para o estabelecimento do vínculo - seu pequeno tamanho, sua fragilidade e dependência, suas gracinhas, seu choro, uma relação que se estabelece e se consolida dia após dia. Para aqueles que se permitem o convívio - Pai, Mãe e tantos outros - este apelo à relação é irresistível.

O poder e o desejo de estabelecer vínculos, este, sim, é inato ao Ser Humano.

O momento do nascimento é o Tempo-Zero da relação, onde se deve buscar despir, o mais plenamente possível, as expectativas pessoais e sociais (principalmente as relacionadas aos desempenhos dos papéis), para se investir nesta nova possibilidade de vinculação emocional que surge.

E aí , sim, criado o vínculo, nascem os papéis: Mãe - Filho, Pai - Filho. Os seres pai e mãe relacionais são uma descoberta que se estabelece a partir do vínculo e se consolida e cresce com o tempo de relação.

Neste Tempo-Zero relacional, a criança, seja adotiva ou natural, são igualmente estranhas.

O processo de adoção é um período projetivo, assim como a gravidez. Na chegada do novo e pequeno ser ao berço familiar, também estas expectativas devem ser vencidas, para o surgimento da nova relação de papéis que ali se inicia.

Aqui, também, as vivências ambíguas de perda e de ataque estão presentes, se manifestando na fantasia quanto a carga genética ou traumas acumulados que a nova criança possa trazer.

É sabido que, em curto prazo, os pais que possuem tanto filhos adotivos como naturais, já não reconhecem mais emocionalmente a diferença.

É também neste vínculo, que ser Pai e ser Mãe é vivido como descoberta e possibilidade da relação.

Mesmo o mito de que a criança é mais voltada à mãe que ao pai, deve ser analisado em função do desempenho do papel social, que reservava mais tempo de convivência à mulher com a prole, enquanto o homem preservava sua função no distanciamento.

Hoje, o homem também se permite descobrir no vínculo o seu Ser Pai, construindo esta possibilidade e podendo estar tão afetiva e instintivamente ligado a este papel quanto o Ser Mãe.

Respondendo, então, à sua dúvida, amiga, tenha a certeza que o amor em relação aos seus futuros filhos, surgirá no tempo certo, sendo desenvolvido no dia a dia assim como seu Ser Mãe.

Estas são vivências que não pré-existem em nosso interior. Nascem no vínculo, mas não sucumbem ao término deste. Um Eu (Ser Mãe ou Ser Pai), quando surge, nos acompanha por todo o sempre.

Difícil é, para os Pais, o resgate da própria dependência, na independência dos filhos.

O Crescimento na Angústia


Psicóloga Ana S. Botto

No curso de nosso desenvolvimento, diversas perdas se interpõem à nossa jornada. Em maior ou menor intensidade, elas ficam registradas em nós, se fazendo presentes, como se o tempo não tivesse ocorrido. Ficam nos desarmonizando, não nos permitindo prosseguir antes de termos elaborado estes obstáculos.

A psicoterapia é exatamente este agente de elaboração e mudança interna. Ela nos traduz o sentido de nossos padecimentos, tornando a dinâmica de nosso inconsciente favorável ao nosso crescimento. De vitimados, nos tornamos agentes de nossos processos.

A atitude pessoal de submeter-se a um processo psicanalítico se fundamenta em um comprometimento interno com esta mudança. Quando os padrões enraizados se mostraram de alguma forma ineficazes, surge o desejo de crescer através do auto-conhecimento.

O tratamento visa uma reeducação emocional, pela localização de nossos bloqueios manifestos através de nossas ansiedades, angústias, fobias ou tantas outras formas que o inconsciente lança mão. Estes começam a ser vistos como sintomas, como uma fala interna em busca de elaboração.

A psicoterapia faz com que obtenhamos êxito neste processo. Todo sintoma retrata uma grande história condensada do indivíduo. São forças internas em conflito que geram um dispêndio enorme de energia mental. Esta energia deixa de estar disponível para outras coisas, acarretando uma empobrecimento da pessoa.

Temos uma determinação interna à evolução. Desta forma, conteúdos emocionais não elaborados formam uma espécie de nódulo, uma cristalização. Em algum período de nossas vidas este represamento tentará a ser rompido. As circunstâncias emocionalmente não elaboradas de hoje virão, então, cobrar sua solução interna, fazendo com que nos confrontemos com circunstâncias que nos propiciem esta reedição. Isto, quantas vezes se mostrarem necessárias. Freud nos exemplifica este processo ao comparar nosso desenvolvimento emocional a um povo em movimento que deixa ao longo do caminho fortes destacamentos (estes seriam os nódulos emocionais). As frações mais adiantadas deste povo teriam uma grande tendência, quando vencidas, ou quando enfrentassem um inimigo demasiado forte, a voltar sobre os próprios passos para se refugiar junto aos destacamentos retardatários.

Enquanto não nos libertamos através da elaboração destes nódulos traumáticos, ficamos como um pião rodando em torno deste eixo. É a oportunidade que a natureza do nosso inconsciente nos proporciona de crescer.

A psicoterapia vem como um socorro que apóia e viabiliza esta elaboração, fazendo com que compreendamos o sentido interno da angústia e sintomas, diluindo então a repetição e permitindo por conseqüência o crescimento interno.

O papel do analista é o de um "eu auxiliar' ao do paciente, ampliando sua possibilidade de escuta interna e de elaboração. A terapia nos proporciona insights, momentos únicos nos quais nos entendemos de uma forma dinâmica, onde nossos sintomas se revelam para nós de forma compreensível. Nos auxilia na reformulação de padrões comportamentais que não mais nos servem no presente, sendo verdadeiros entraves, embora tão intimamente comprometidos conosco.

O terapeuta é o nosso companheiro neste caminho de reforma íntima e superação, permitindo em nós o surgimento de um indivíduo liberado para uma vida mais satisfatória

Stress Pós-Traumático


Psicóloga Ana S. Botto

O que é?

Se trata de uma resposta psico-fisológica retardada a um evento de natureza excepcionalmente ameaçadora, como por exemplo:

. Combate, seqüestro, prisão, assalto, estupro, acidente, agressão física ou moral, etc.

. Um diagnóstico preocupante, um resultado de exame de laboratório que indique doença grave, uma cirurgia difícil, um pós operatório complicado.

. Uma perda financeira ou afetiva.

. Desastres naturais e Guerra.

"PTSD é a resposta normal de pessoas normais a eventos anormais."

A grande maioria das pessoas que experimentam um evento altamente traumático se recupera desta experiência em um tempo aceitável, mas um pequeno número é tão seriamente afetado que mais tarde desenvolve uma condição mais grave chamada Desordem do Stress Pós Traumático. O PTSD altera a maneira da pessoa pensar, sentir e agir. Ele também se manifesta em um amplo leque de sintomas físicos. O PTSD é tão destrutivo que pode efetivamente interromper a vida profissional e pessoal de uma pessoa.
Sintomas
Evocações Intrusivas Revivescência do evento traumático sob a forma de lembranças invasivas (flash backs), de sonhos e/ou pesadelos. A pessoa tem a sensação de estar vendo ou vivenciando a mesma situação, como se fosse uma cena de filme na frente dos olhos. Com o passar do tempo, se desenvolve um estado depressivo crônico
Sintomas de Evitação/ Insensibilidade Embotamento emocional, Retraimento com relação aos outros, Insensibilidade ao ambiente, Evitação de atividades ou de situações que possam despertar a lembrança do evento. Pode ocorrer uma baixa acentuada de rendimento escolar, profissional assim como uma tendência a se isolar socialmente. Em sua manifestação mais extrema, o comportamento de evitação assemelha-se à agorafobia porque o indivíduo com PTSD tem medo de sair de casa, por temor de se confrontar com lembretes do(s) evento(s) traumático(s). Dissociação e amnésia psicogênica estão incluídas entre os sintomas de evitação/insensibilidade pelos quais os indivíduos cortam da experiência consciente as lembranças e sentimentos baseados no trauma.
Sintomas de Hiperestimulação Hiperatividade neurovegetativa, com hipervigilância, estado de alerta e insônia, associadas freqüentemente a uma ansiedade, depressão, irritabilidade ou ideação suicida. A hipervigilância no PTSD algumas vezes pode tornar-se tão intensa, que parece franca paranóia.

O período que separa a ocorrência do traumatismo do transtorno pode variar de algumas semanas a alguns meses, por esta razão dizemos que o PTSD é uma reação retardada a um evento traumático. A experiência psicológica negativa continua atuando no psiquismo do indivíduo algumas vezes por décadas ou por toda a vida.

Tratamento
- Às vezes, medicação Antidepressiva mesmo que a pessoa não esteja sofrendo de sintomas depressivos. O objetivo é promover um descondicionamento dos sintomas no organismo e

- Psicoterapia Individual ou em Grupo – A melhor opção terapêutica para pacientes leve a moderadamente afetados por PTSD seja a terapia em grupo. Em tal situação, o paciente com PTSD pode discutir lembranças traumáticas, sintomas de PTSD e déficits funcionais com outros que tenham experiências semelhantes.

Distúrbio de Ansiedade


O medo e a ansiedade são naturais no homem. Ambos são defesas contra situações que causam alguma ameaça permitindo ao indivíduo lutar ou fugir.

Na mitologia grega Fobos era filho de Ares o Deus da guerra e de Afrodite a Deusa do amor. Fobos acompanhava seu pai nas guerras. De Fobos (medo) originou-se a palavra fobia.

Pan (terror), ser meio homem e meio animal, aterrorizava as pessoas e era associado as trevas, obscuridade e feiúra. Pan originou o nome pânico.

A ansiedade é sentida como uma emoção desagradável, diante da qual o indivíduo precisa colocar-se em alerta. É uma defesa que todos nós possuímos e que tem uma finalidade muito importante. Constitui um “sistema de alerta” normal que nos adverte de algum perigo.


Desencadeia o mecanismo chamado de luta-fuga, ou seja, lutar para enfrentar o perigo ou fugir dele. Algumas glândulas do nosso corpo são estimuladas a secretar certos hormônios que serão os responsáveis por esta tarefa. Esses, chamados hormônios do estresse, estimularão o organismo para uma resposta imediata ao risco (“ligarão o sistema”) e, passado o risco, “desligarão o sistema” para que o nosso corpo volte ao estado normal.

Quando este mecanismo por algum motivo se desregula, desenvolvemos os chamados Distúrbios de Ansiedade, que são as doenças mais comuns na atualidade.

Nestes distúrbios, ocorre no indivíduo o seguinte esquema::

Maximização do Risco – O sujeito aumenta ao máximo a probabilidade de risco ou dano
Minimização dos Recursos de Enfrentamento – O sujeito vê de forma diminuída a sua habilidade para lidar com o que o ameaça.
Podemos então pensar na seguinte “equação da ansiedade”:

Ansiedade = Possibilidade Vivenciada de Risco X Acontecimento Atual

Possibilidade de Enfrentamento + Experiência Anterior
O resultante desta equação é a sensação de vulnerabilidade determinante da Ansiedade.

Quando o bebê começa a morder


Morder é uma forma de expressão, uma fase passageira. Mas exige, desde a primeira vez, a ação dos pais.

Quando você menos espera, nhac! Seu anjinho ainda está mamando e já ataca seu peito sem piedade, com uma mordida daquelas, experimentando o uso e a força dos primeiros dentinhos. Você pode não ter se dado conta, mas os dentes são o primeiro recurso que a criança ganha e que pode ser usado para intervir no ambiente, para mostrar aos outros que ela tem presença ativa. As mordidas podem começar assim.

Depois, seu filho morde os brinquedos, como uma forma de exploração. Mais crescido, porém, pode usar a mordida para expressar descontentamento, fazendo vítimas entre os amiguinhos, os avós ou até mesmo a babá e a professora. “Por não articular bem as palavras, a criança dessa idade exprime-se por meio do corpo e dos gestos. Para ela, morder é uma forma natural de mostrar ao outro que está com raiva”, afirma a psiquiatra Lidia Strauss, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O que fazer

As mordidas são uma fase passageira. No entanto, mesmo que pareçam de brincadeira e não machuquem ninguém, não devem, jamais, ganhar aprovação. Caso contrário, a criança pode pensar que o que fez é bom. Palavras como “dói” e “não pode” são a melhor reação para orientar a criança a não morder. Segundo a psiquiatra Lidia, alongar as explicações não adianta, porque o filho dessa idade não entende. “Aos poucos, ele aprende a reconhecer os sinais dos pais que indicam o que não deve fazer.”

Mordidas demais

Com o tempo, também, a criança aprende outras formas de se expressar e deixa as mordidas de lado. Se isso não acontecer a partir dos 3 ou 4 anos, e seu filho continuar a usar a mordida para aliviar tensões, é melhor ficar atenta. “Toda criança pode se alterar momentaneamente, por exemplo, numa brincadeira. Mas mordidas demais sinalizam agressividade sem controle”, diz Lidia. Se a ação se repetir com freqüência, a médica aconselha a procurar a ajuda de um profissional. Seu filho morde porque...está insatisfeito e quer mostrar isso; quer demonstrar força e ver a reação que provoca; não tem vocabulário suficiente para se expressar. Você deve conter tal comportamento sempre, impedindo que ele morda; dizer a ele que isso pode machucar as pessoas; procurar orientação se as mordidas se tornarem rotina.

Agressor e agredido
Os pais dos mordedores costumam ser mais relaxados do que aqueles que enxergam no corpo do filho dentadas alheias, segundo a pediatra Sandra. Se você está entre o grupo dos filhos mordidos, também relaxe. Quando a criança começa a viver em grupo, acaba descobrindo como se defender e se impor entre os coleguinhas. E uma hora ela vai avisar ao amigo mordedor que não gostou e não quer ser mordida de novo. Nunca incentive seu filho a revidar. "Os pais jamais devem estimular a agressão", ensina Sandra.

Fonte: CRESCER

Inimizade também faz bem


As relações conflituosas ensinam a criança a respeitar as diferenças e superar os problemas

Você já sabe da importância que a amizade tem na vida do seu filho, mas novas pesquisas norte-americanas mostram que as relações antagônicas também são saudáveis e necessárias para o desenvolvimento da criança. O estudo mais recente, realizado por pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, cruzou dados novos e antigos de adolescentes para delimitar como uma amizade se transforma em um relacionamento hostil.

A pesquisa apontou que as principais razões para o início de uma inimizade são: ciúme, incompatibilidade (de personalidade, gênio, ideias...), violações de regras internas e agressões. Entender esses motivos é o caminho ideal tanto para “resolver” o conflito com o amigo, quanto para a criança se conhecer melhor e identificar seus limites e características. Ou seja, é preciso conversar.

Embora o estudo tenha sido feito com adolescentes, a infância também é palco de relações conflituosas. E, para os pais, é ainda mais difícil de lidar (afinal, como assim alguém “não gosta” do seu filho)?. “É uma tendência os pais quererem eliminar qualquer forma de conflito na vida dos filhos, para evitar o sofrimento. Mas a criança precisa de um outro que a negue para aprender a se colocar socialmente”, afirma Débora Vaz, diretora pedagógica da Escola Castanheiras, em São Paulo. Essas relações de antipatia ajudam a criança a entender e respeitar as diferenças que existem entre as pessoas, além de perceber que nem todos serão seus amigos. E o mais difícil: que nem todos pensam da mesma forma. O desenvolvimento e o aprendizado surgem a partir de um problema, pois só enfrentando adversidades é que se aprende a superá-las.

A melhor opção é encarar a situação naturalmente, avaliando cada caso para estabelecer o limite da inimizade. Muitas vezes, as crianças usam a agressividade para se comunicar e aprender a conviver. “Na infância, as relações ainda são superficiais e não tão bem desenvolvidas a ponto de elas terem o conceito de ‘inimigo’ formado. Nós, adultos, é que pensamos assim. Às vezes, são apenas colegas que não combinam e têm opiniões diferentes”, diz Débora. Converse com o seu filho, com a escola e com outras mães para entender melhor até que ponto as brigas são saudáveis e quando é necessário intervir e proteger a criança.


Fonte: CRESCER

sábado, 22 de maio de 2010

Sinais de puberdade


Ainda não é hora, mas eles podem aparecer nessa fase
A partir dos 6 anos, o ritmo de crescimento é menor, mas os pais podem surpreender no filho algum indício de evolução precoce, como o surgimento de mamas ou pêlos pubianos. Trata-se da puberdade precoce, que se caracteriza pelo desenvolvimento dos órgãos sexuais secundários antes dos 8 anos nas meninas e antes dos 9 nos meninos. O fenômeno, que é mais comum nas garotas (na proporção de cinco para um), é motivado pelo aumento do nível de hormônios sexuais. Érica, de 7 anos, amanheceu com o mamilo direito inchado. "Pensamos que fosse uma picada de inseto", conta a mãe, a advogada Patrícia Mendes. Após alguns dias, como o inchaço permaneceu, os pais resolveram levá-la ao médico. O diagnóstico: o corpo de Érica havia desenvolvido um botão mamário. Como detectar "O desenvolvimento prematuro das mamas que ocorre como um evento isolado não é prejudicial, desde que o crescimento da criança continue normal", explica Nuvarte Setian, chefe da unidade de endocrinologia pediátrica do Instituto da Criança, de São Paulo. O preocupante é quando outros sinais da puberdade aparecem antes da hora. Isso inclui crescimento ósseo avançado, menstruação, pêlos pubianos e nas axilas, mudança de voz e aumento da bolsa escrotal nos meninos, entre outros. Após a análise clínica para detectar esses sinais, o pediatra também mede a idade óssea com raios X e, se for o caso, pede exames de dosagem hormonal. Se a puberdade precoce verdadeira for diagnosticada, a criança fará tratamento para inibir a produção hormonal até entrar na adolescência. Isso porque o problema pode comprometer a estatura final. A criança terá um estirão e talvez pare de crescer antes da época", afirma Ieda Verreschi, professora de endocrinologia da Unifesp. Além disso, de acordo com a médica, podem surgir problemas emocionais, pois, apesar de desenvolvida fisicamente, a criança ainda é imatura.

De olho nos alimentos
Embora se desconheça a causa exata da puberdade precoce, sabe-se que um índice elevado de leptina – o hormônio da obesidade – pode causar a menarca (primeira menstruação) precoce. As meninas gordinhas, portanto, estão mais sujeitas ao problema. Os especialistas recomendam atenção também à origem da carne vermelha, ainda que a fiscalização seja rigorosa no Brasil. "Há registros no exterior de casos de puberdade precoce relacionados ao hormônio de crescimento encontrado na carne bovina", diz Ieda Verreschi, da Unifesp.

Fonte: CRESCER

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O "bom" por trás da mentira


Difícil acreditar nessa teoria, não é? Mas uma pesquisa canadense mostra que a habilidade de inventar uma mentira convincente pode ser um indicativo de desenvolvimento cognitivo
“Mãe, hoje eu não posso ir à escola porque estou doente”. Você já deve ter ouvido pequenas mentiras do seu filho. Uma pesquisa canadense mostrou, pela primeira vez, que pode existir um lado "bom" da mentira. Não, não é para você permitir esse tipo de comportamento, ao contrário. Mentir é ruim, sempre. O que os pesquisadores avaliaram, na verdade, foi a habilidade de a criança contar uma história e convencer alguém. Segundo Kang Lee, diretor do Instituto de Estudos da Criança da Universidade de Toronto, no Canadá, a criança capaz de contar pequenas mentiras já desenvolveu a "função executiva" - a habilidade de inventar uma mentira convincente, mantendo a verdade no fundo de sua mente. Isso indica que o cérebro da criança consegue integrar informações e manipular dados. Apesar de indicar desenvolvimento cognitivo, não quer dizer que a mentira deve ser incentivada.

Os estudos não apontam nenhuma relação entre as pequenas mentiras contadas na infância e qualquer tendência para uma trapaça ou fraude maior no futuro. O estudo analisou o comportamento de 1,2 mil crianças entre dois e 17 anos. Em um dos testes realizados, a equipe de pesquisadores chamou uma criança por vez para uma sala com câmeras mascaradas e escondeu um brinquedo atrás dela, dizendo que não poderia olhar. Quando o pesquisador saiu da sala, nove entre dez crianças deram uma espiadinha. Mas quando perguntadas, elas disseram que não.

Os resultados mostraram que até os dois anos de idade, 20% das crianças mentem. Com três anos, o número sobre para 50%, com quatro anos, 90% e com 12 anos, quase todas as crianças contam mentiras.

Fonte CRESCER

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Seu filho tem preguiça de ler?


Muitas crianças, apesar de já estarem alfabetizadas, resistem à leitura. É normal e uma fase passageira, segundo a pedagoga Isabel Muniz, coordenadora da 2a à 4a série da Escola Carlitos, em São Paulo. Ela lembra que os adultos aprenderam a ler e a escrever há tanto tempo que se esquecem como é o processo de alfabetização. "É a mesma situação de quem aprende a dirigir. No começo é preciso prestar atenção a tantas coisas, que é difícil sentir prazer. Com o tempo, a experiência vai tornando a leitura mais agradável." Estímulos na escola são fundamentais, mas os pais podem contribuir muito para a incorporação do hábito de ler à vida da criança.


Com dificuldades


A escola costuma dar o sinal de alerta quando há indícios de que a criança apresenta problemas mais sérios com a leitura. Eles podem estar associados a distúrbios auditivos e até a doenças como anemia. Descartadas essas hipóteses, é preciso ficar de olho na dislexia, distúrbio de origem genética que afeta cerca de 2% da população e para o qual há tratamentos eficientes. As principais características da dislexia são dificuldade em relacionar a letra ao som correspondente e em escrever as sílabas na ordem correta. Muitas vezes, crianças que sofrem disso passam por desorganizadas, desinteressadas e preguiçosas na sala de aula.

Muitas dicas

A leitura de contos da literatura pode desagradar a algumas crianças. Muitas têm mais interesse em ler temas como futebol ou coleções mais práticas e científicas do tipo "De onde vem o vidro?" Os pais devem deixar a criança à vontade quanto a essas preferências. "Elas funcionam igualmente como porta de entrada para a criação do hábito de ler", diz a pedagoga Isabel. Para ela, o ideal é ter em casa livros variados para que a criança possa descobrir qual o tipo de leitura que mais a atrai. "Ir a livrarias e deixar o filho folhear diversas obras é outro bom estímulo", recomenda. Ler com os pais, também. "Há casos em que o problema não é a leitura, mas a dificuldade da criança em ficar sozinha", diz Isabel, sugerindo que pais e filhos sentem-se juntos e leiam em voz alta, alternando os parágrafos. "Isso ajuda a criança a dominar melhor o processo e facilita a compreensão da história, o que também favorece o prazer de ler." E mais uma dica: encoraje seu filho a ler para uma criança menor. "Isso estimula a autoconfiança", ressalta a pedagoga.

Ajude seu filho a gostar dos livros:

- Esclareça as dúvidas sobre os textos.

- Leve seu filho a livrarias e bibliotecas para ele escolher os livros que gostaria de ler.

- Leiam juntos em voz alta, alternando os parágrafos. Mas não force se a criança se sentir incomodada.

Fonte: CRESCER

Olha a mentira


Toda criança, uma hora ou outra, fala uma mentira.Até os 6 ou 7 anos, porque confunde a fantasia com a realidade, quer enfeitar uma história ou só agradar os pais ou o amiguinho. Mas, depois dessa fase, com mais responsabilidades e cobranças, seu filho acaba percebendo que a mentira pode ser muito útil para resolver problemas e até para se manter no comando de uma situação. A criança pode, por exemplo, não ter tomado banho, escovado os dentes ou feito a lição na hora indicada pelos pais e, ao ser cobrada, dizer que fez tudo direitinho. Uma pequena mentira dessas, de vez em quando, não faz mal a ninguém. O problema é evitar que se tornem um hábito.

Falar a verdade
Esse é o princípio a ser valorizado. Para que funcione, no entanto, a criança precisa sentir desde cedo que os pais dão importância ao que ela diz, não para condená-la, mas porque estão interessados em saber o que acontece com ela. "Se a criança costuma ser muito recriminada ao cometer um erro ou pressionada a ter atitudes sempre positivas, pode perder a confiança em dizer a verdade e concluir que mentir é bom para obter a aprovação dos pais", explica a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano. Pais rígidos ou com expectativas muito altas em relação ao filho também correm maior risco de ouvir mentiras, porque é natural que a criança queira corresponder ao que esperam dela. "Nesse caso, o filho mente para agradar", diz Ana Cássia.

De brincadeira
Nicolau, 7 anos, mente para parecer melhor ou pior do que é. "Ele adora exagerar tudo, tanto para mais quanto para menos. Se é uma história em que se dá bem, aí ele é o melhor de todos. Se está em desvantagem, vira vítima e passa a se considerar inferior a todo mundo", conta a mãe Maria Luiza Fioravanti. O garoto também usa a mentira para tentar se livrar de encrencas quando apronta. "Se ele derruba um copo de suco no tapete, por exemplo, põe a culpa na Sebastiana, nossa empregada. Mas isso já virou até brincadeira, porque aí a mentira é descarada. Mesmo assim, estou sempre dizendo a ele que prefiro que fale a verdade em qualquer situação", diz Maria Luiza.

Agindo bem com seu filho
- Não finja que acredita Ao perceber que a criança mentiu, não ignore. Converse com ele e aproveite para reforçar a importância da verdade para a confiança entre vocês.
- Pesos e medidas Mentir pode ter pontos positivos, como a criatividade que a criança demonstra para se virar em determinada situação ou a sensibilidade de mentir para não ofender alguém. Considere essas habilidades na hora de reprovar a mentira.
- Ensine os limites Todos contam uma mentirinha ou outra, mas seu filho precisa saber que há limites, como o de prejudicar outra pessoa com sua mentira.
- Não force a mentira. A criança pode mentir para se defender da curiosidade de pais e amigos "abelhudos".
- Respeite a privacidade de seu filho.
- Atenção ao exagero. Mentiras freqüentes são sinal de que a criança não está segura e confortável
consigo mesma.


Fonte: CRESCER

Automedicação com antibióticos: essa atitude aumenta a resistência de bactérias


Automedicação não é só perigosa para você e seus filhos. Ela também pode prejudicar o efeito das medicações sobre as doenças. Um estudo realizado pelo Instituto Adolfo Lutz mostrou que o principal agente causador de meningite bacteriana -- Neisseria Meninigitidis (meningococo) -- aumentou sua resistência a antibióticos nos últimos dois anos.

Segundo o Instituto, antibióticos como penicilina e ampicilina (pesquisados neste estudo) ainda podem ser usados no tratamento de meningites causadas por bactérias, mas são necessárias doses maiores para combater a doença. Para Maria Cecília Outeiro Gorla, pesquisadora do Instituto e uma das responsáveis pelo estudo, esse quadro deve-se ao uso desnecessário ou incorreto de antimicrobianos.
E como isso acontece? “Há pessoas que têm a bactéria meningoco na garganta, mas não apresentam a doença. Se por algum motivo ela resolve comprar um antibiótico por conta própria, mexe com aquela bactéria, que, ao entrar em contato com a medicação, “aprende” a ficar resistente”, diz Orlando Conceição, infectologista do Hospital São Luiz (SP). Assim, se você transmitir essa bactéria para alguém, ela chegará ao organismo dessa pessoa de uma maneira mais potente.

Isso sem contar ainda os efeitos colaterais. O uso indiscriminado de antibióticos diminui as defesas do organismo. “No trato gastrointestinal, há bactérias que ‘ajudam’ no metabolismo. E a medicação pode matar parte delas, provocando diarreias, por exemplo”, afirma Orlando.
A Anvisa já se manifestou a respeito da compra de antibióticos sem receita médica. Porém, segundo a assessoria de imprensa, o objetivo de controlar a venda dessa medicação ainda está em discussão. “Não existe uma ação concreta.”

Vacinação

Algumas vacinas protegem contra a meningite, como é o caso daquelas contra as bactérias hemófilo (aplicada aos 2 meses, aos 4, aos 5 e reforço aos 15 meses), pneumococo e meningococo C (Neisseria Meninigitidis) - sendo que há outros grupos de meningococo e não existem imunizantes para eles. Porém, somente a primeira faz parte do calendário de imunização do Ministério da Saúde.

As demais são encontradas em clínicas particulares de vacinação. A antipneumocócica custa, em média, R$ 250 cada dose (a criança deve tomar aos 2 meses, 4, 6 e reforço com 1 ano), e a antimeningocócia custa, em média, R$ 165 cada dose (a criança toma três: aos 3 meses, aos 5 e com 1 ano)


Caminho alternativo

Já que a resistência aos antibióticos é um problema, a ciência tem feito sua parte em busca de formas alternativas para atacar as bactérias que causam doenças. E a chave para isso pode estar no metabolismo desses microorganismos.
Os antibióticos atuam inibindo a produção de compostos essenciais para as bactérias. Mas aquelas que já estão resistentes têm conseguido outras formas para obter essas substâncias. Pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, desvendaram uma etapa final do metabolismo da bactéria E.coli que indica um caminho para novos medicamentos entrarem em ação.
Com essas informações em mãos, pesquisadores poderão desenvolver substâncias específicas que bloqueiem a etapa identificada e impeçam a sobrevivência desses microorganismos no nosso corpo.

Fontes: Marcos Antonio Cirillo, infectologista do Hospital Santa Catarina (SP); Orlando Conceição, infectologista do Hospital São Luiz (SP); A Saúde de Nossos Filhos - Hospital Irsraelita Albert Einstein

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Responsabilidade moral e a loucura

Reflexão sobre o motivo de uma pessoa portadora de transtorno psíquico não ser responsável por seus atos num momento de loucura

Por Augusta Cristina de Souza Novaes

Na ultima novela de Gloria Perez, Caminho das Índias, exibida pela Rede Globo, a autora nos permite num deslocamento do nosso olhar, nos deparar com questões diversas que nos provocam. Uma delas diz respeito à responsabilidade moral. Vou descrever uma das cenas. Um dos personagens, Tarso, em pleno surto esquizofrênico, tinha uma arma nas mãos e atirou em outra pessoa. A mãe de Tarso, Melissa Cadore assumiu a culpa pelo filho. O desfecho da trama não 'e relevante. A questão surge neste momento: Tarso, portador de esquizofrenia, poderia ser responsabilizado por ter atirado, nesta circunstância específica?

Parece que fica claro que não, pois o personagem, naquele momento, não tinha consciência do ato. Não dispunha livremente da sua vontade, por não poder dispor da sua razão, uma vez que se encontrava preso à autoreferencialidade da loucura. Sabe-se que, para se imputar responsabilidade por um ato a outrem, é necessário examinar se ao praticar tal ato ao agente foi possível optar livremente por sua execução. No caso de Tarso, sabemos que ele não dispunha de tal condição.

Os pais de Tarso, por serem negligentes com o tratamento e não assumirem a doença do filho, poderiam ser responsabilizados moralmente pelo desatino praticado pelo filho em momento de loucura? Parece-me que sim. Uma vez que escolhem ignorar o fato de ser o filho portador de transtorno mental e por isso não lhe providenciam o adequado tratamento. Ao optarem pela ignorância, assumem a responsabilidade pelo ato de insanidade praticado por Tarso. É conveniente sublinhar que os pais de Tarso escolhem pelo não saber e que poderiam, e deveriam, em tese, ter o conhecimento da afecção psíquica que acomete o filho e do tratamento possível. Todavia, se Tarso não tivesse ainda desencadeado a esquizofrenia e o seu ato fosse de todo inesperado, não poderiam ser responsabilizados, pois ignorariam verdadeiramente a predisposição psíquica do mesmo. Nesse caso, a ignorância os eximiria da responsabilidade mora


Suponhamos, ainda, que os pais de Tarso não tivessem acesso à informação e nem aos meios de procurar obtê-la, e devido a isso não pudessem perceber a doença do filho e tampouco mensurar sua gravidade. Seriam responsáveis, nesse caso, pelos atos insanos praticados por ele? Não, pois não disporiam das condições de saber e, consequentemente, ignorariam realmente, sem opção de escolha


Leiamos Sánchez Vásquez: "A ignorância das circunstâncias, da natureza ou das consequências dos atos humanos autoriza a eximir um indivíduo da sua responsabilidade pessoal, mas essa isenção estará justificada somente quando, por sua vez, o indivíduo em questão não for responsável pela sua ignorância; ou seja, quando se encontra na impossibilidade subjetiva ou objetiva (por motivos históricos e sociais) de ser consciente de seu ato."


Neste artigo, refletimos sobre o motivo de uma pessoa portadora de transtorno psíquico não ser responsável por seus atos praticados em momento de loucura e descobrimos que falta a ela, nesse momento, a possibilidade de pensar no registro simbólico, pois se encontra emaranhada na autoreferencialidade do imaginário, e devido a isso perde a possibilidade de optar livremente por agir ou não. Sendo coagida internamente à ação é irresponsável, nesse momento, por seu ato. Mas torna-se responsável àquele que sabendo da possibilidade da loucura em tal sujeito a ignora, impedindo-o de tratar-se adequadamente.

Gostaria, para finalizar este artigo, de lembrar que o portador do transtorno mental não se reduz à psicopatologia a qual está sujeito. Ele é pessoa e como pessoa o transtorno mental é uma possibilidade sua. Mas existem outras. Lembremo-nos de Arthur Bispo do Rosário, John Nash, Florbela Espanca, Robert Schuman, entre incontáveis outros, cujo legado de genialidade e beleza os tornam inesquecíveis e a nós todos mais ricos e humanizados por intermédio de suas obras!

Fonte: Portal Ciencia e Vida

Voz da mãe conforta como um abraço


Quantas vezes você se sentiu mal porque não estava em casa com seu filho? Ou quando teve de ligar para avisar que ia chegar tarde do trabalho? Um simples telefonema seu pode melhorar o dia dele, muito mais do que você imagina. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Wisconsin, nos EUA, revela que a voz materna estimula o cérebro a produzir um hormônio que combate o estresse. Ou seja, suas palavras acalmam e confortam as crianças, como se fosse um abraço.

Para chegar a esta conclusão os pesquisadores reuniram 7 meninas de 12 anos de idade. Elas foram submetidas a avaliações matemáticas com alto grau de complexidade. Durante a avaliação, o nível de cortisol – hormônio causador do estresse - foi medido. Após a aplicação dos testes, as crianças foram divididas em 3 grupos. O primeiro foi consolado com um abraço das mães. O segundo ficou assistindo a um filme sem qualquer apelo emocional e o terceiro conversou com a mãe pelo telefone. O resultou surpreendeu: o telefonema teve o mesmo impacto emocional do abraço.

O alívio do estresse e da ansiedade não é momentâneo, mas as crianças permanecem calmas por um longo período de tempo após a conversa com a mãe. “Os bebês reconhecem a voz materna desde os primeiros dias de vida, isso cria um vínculo emocional entre eles”, diz a psicóloga Ana Menzel, do Hospital Albert Einstein (SP). A pesquisa não é conclusiva. Ela só avaliou os efeitos da voz em crianças do sexo feminino. Os pesquisadores afirmam que o sistema neurológico masculino age de maneira distinta. Os garotos são mais resistentes aos estímulos emocionais do que as garotas.

Fonte: Crescer Revista

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Síndrome de Turner

Síndrome de Turner é uma condição que afeta apenas meninas, e é um distúrbio cromossômico.

Ninguém conhece a causa da Síndrome de Turner. A idade dos pais das meninas com Síndrome de Turner não parece ter qualquer importância e não foram identificados fatores hereditários. Não parece haver qualquer providência que os pais possam tomar para evitar que uma de suas filhas tenha Síndrome de Turner.

O diagnóstico pode ser feito em qualquer idade; cerca de 30% das crianças são diagnosticadas ao nascimento e outras 25,5% durante a período médio da infância. Para muitas meninas portadoras de Síndrome de Turner, entretanto, o diagnóstico pode ser feito somente na adolescência.

O que significa ter Síndrome de Turner?

Certamente, as meninas portadoras de Síndrome de Turner não são menos dotadas do que as outras. Entretanto, as meninas com esta síndrome podem apresentar as seguintes características:

Altura

Uma estatura reduzida frequentemente representa o maior obstáculo para uma menina com Síndrome de Turner. Ao nascimento, estas meninas geralmente têm um comprimento menor e pesam menos que as outras. Durante os primeiros anos de suas vidas, elas crescem quase tão rápido quanto suas contemporâneas, porém, com o tempo, a diferença na altura se torna mais aparente. A diferença é particularmente notável quando as outras meninas estão entrando na puberdade e apresentando rápidos aumentos de estatura, o que não ocorre com as meninas com Turner. Geralmente, as mulheres com Turner que não estão recebendo tratamento são, em média, 20 cm mais baixas que outras mulheres. Nos últimos anos, as meninas com Turner estão sendo tratadas com hormônio de crescimento e os resultados provisórios sugerem que a estatura final possa ser aumentada de 5 a 10 cm.

Desenvolvimento Puberal e Menstruação

Na maioria das meninas com Turner, os ovários não se desenvolvem como deveriam. Por este motivo, também há uma ausência dos hormônios sexuais femininos, importantes para o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários (pêlos pubianos, desenvolvidas mamas, etc.). Consequentemente, muitas meninas com Turner podem ter desenvolvimento incompleto das características sexuais secundárias. A maioria não menstrua e apenas pode ter filhos em raros casos.

Características Físicas

As meninas com Turner podem apresentar traços físicos que são característicos desta condição, como o pescoço com um septo lateral. Esta é uma pequena dobra de pele de cada lado do pescoço dando a impressão que o pescoço é curto.

Ao nascimento, entre um terço e metade das meninas com Turner apresentará inchaços com aspecto de um coxim no dorso das mãos e pés. Isto normalmente desaparece após um certo tempo, podendo reaparecer durante a puberdade.

Problemas Físicos

- As pesquisas têm mostrado que uma pequena porcentagem de meninas com Turner tem alguma forma de anormalidade cardíaca. A maioria destas anormalidades, felizmente, é relativamente insignificante. É importante que as meninas com Turner façam um exame do coração (através de mapeamento cardíaco especial) precocemente.

- Podem também ocorrer problemas de ouvido com uma tendência para frequentes infecções no ouvido médio. Com o passar do tempo, algumas mulheres podem apresentar um comprometimento da audição.

- As meninas com Turner também podem ter pequenas anormalidades renais. Entretanto, elas geralmente não afetam o funcionamento dos rins

Fonte: novonordisk site

Mutismo seletivo em crianças: não é timidez, não


Essa confusão é muito comum. Mas o distúrbio impede que a criança consiga falar na frente de pessoas que não conhece. Veja as características desse problema – que acometece 7 a cada mil pessoas - e como você pode ajudar seu filho a superá-lo

Depois de dois meses de aulas, Lewis Fawcett, já com 7 anos de idade, conseguiu falar pela primeira vez com a professora – depois de muito esforço dela. O menino sofria com um distúrbio pouco conhecido, chamado de mutismo seletivo, que inibe a criança de conversar com pessoas estranhas, aquelas que não costumam fazer parte de seu círculo social mais íntimo. Assim, Lewis conversava normalmente com sua família e mesmo com os colegas de classe, mas era só um professor ou um adulto se aproximar que o menino não conseguia falar mais nada. Em entrevista ao jornal Daily Mail, a mãe, Lisa, contou que percebeu o problema em 2006, e não houve melhora mesmo quando Lewis entrou na escola primária, no início de 2009. Graças à paciência e dedicação de sua professora, ele conseguiu superar o distúrbio, muitas vezes confundido com excesso de timidez.

Casos como esse são uma exceção. Em entrevista à CRESCER, Elisa Neiva de Lima Vieira, psicóloga clínica, que trabalha há mais de 15 anos com crianças com essa dificuldade, explica mais sobre o distúrbio, fala dos sinais que indicam que uma criança possa tê-lo e como os pais e profissionais devem agir para ajudá-la a superar o problema.

CRESCER: Quais são as principais diferenças entre timidez e mutismo seletivo?
Elisa Neiva de Lima Vieira: Uma criança tímida tem dificuldades de vínculos e contatos, obviamente, mas ela não deixa de exercer suas atividades devido à impossibilidade de falar. A criança com mutismo seletivo simplesmente para de se comunicar – ela passa a usar o “não falar” como forma de defesa emocional. Mas é preciso fazer uma avaliação com um especialista para ter certeza sobre o diagnóstico. Talvez por esta razão as crianças com mutismo seletivo ainda sofram muito, porque professores, pais, profissionais em geral e a própria sociedade brasileira ainda não têm este olhar. Os colegas de classe acabam incluindo a criança em rodas de chacotas, de bullying.

C.: O que pode causar esse problema?
E.N.L.V.: As pesquisas recentes e a prática clínica mostra que pode estar relacionado com situações traumáticas vividas pela criança, de ordem física (violência física), ou psicológica (quando ela vivencia uma desintegração familiar, por exemplo).

C.: Em que faixa etária é mais comum?
E.N.L.V.: Percebemos que o início do mutismo seletivo está na faixa etária dos 3 anos de idade, quando a criança já tem a fala adquirida.

C.: O que os pais (e a escola) precisam prestar atenção?
E.N.L.V.: A criança com mutismo seletivo para de se comunicar em ambientes sociais e, nesta faixa etária (3 a 6 anos) podemos observar mais casos nas escolas, lugar onde a criança começa a passar a maior parte de seu tempo. Ela mantém o contato verbal com pais, familiares e eventualmente algum amiguinho que ela possa eleger, mas para de falar com outras pessoas. Não pede aos professores para ir ao banheiro, beber água.
Com o tempo e a persistência desta negação em falar, os pais começam a perceber que não é uma simples dificuldade de comunicação. É comum que com o passar do tempo ela vá restringindo ainda mais as suas relações, caso o problema não seja avaliado e tratado em tempo hábil. Os pais devem procurar ajuda caso essa situação persista por mais de um mês. A criança com mutismo seletivo, por si só, sofre muito com a ansiedade, e por vezes traz sintomas secundários associados, como transtorno obsessivo compulsivo e tic nervoso, por exemplo.

C.: Quanto tempo de terapia é necessário?
E.N.L.V.: Depende da criança, do caso e do tipo de terapia. Primeiro o terapeuta precisa conseguir criar um vínculo forte com a criança para só a partir daí conseguir resultados, e avaliar conforme a criança consegue responder ao problema. Não dá para estimar um tempo preciso.

C.: Uma criança que superou o mutismo seletivo pode voltar a desenvolvê-lo mais tarde?
E.N.L.V.: É provável. Como esse distúrbio é de ordem psicológica e geralmente é provocado por um trauma, nada impede que uma criança, um adolescente ou mesmo um adulto que teve o problema anteriormente volte a desenvolvê-lo diante de uma outra situação traumática.

C.: Como tratar o problema?
E.N.L.V.: Eu acredito muito em um trabalho conjunto entre pais, terapeuta e criança. O terapeuta tem que ser maleável o suficiente para poder entender e atender ao pedido de seu paciente. É desejável que a criança seja avaliada por um psiquiatra especialista em psiquiatria infanto-juvenil, pois, segundo a análise do terapeuta, pode-se iniciar um tratamento medicamentoso (ou não). Eu peço sempre aos pais que conversem com seus filhos sobre o problema que ele enfrenta, não escondam nada, não procurem profissionais “in off”. A criança precisa lidar com a realidade, com a verdade. Os adultos também precisam aprender isso.

Fonte: CRESCER

A memória do seu filho é maior do que você imagina


Novo estudo mostra que as experiências vividas até os 5 anos são importantes para o desenvolvimento emocional
A cor das paredes do quarto, os brinquedos preferidos, as festas de aniversário e os primeiros amigos. Engana-se quem pensa que criança não se lembra das experiências vividas durante a infância. Desde que nascem, os bebês exercitam a memória ainda como uma estrutura que está sendo construída dia após dia. Como eles têm uma limitação motora e de linguagem nessa fase, respondem aos estímulos de outra maneira. É utilizando a memória que o bebê reconhece a voz dos pais, pede para brincar com um brinquedo específico e pára de chorar quando alguém próximo o pega no colo.

Um novo estudo, publicado na edição de maio da revista Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine (Arquivos de Pediatria e Medicina da Adolescência), mostrou que os momentos vividos entre o nascimento e os 5 anos de idade são muito significativos para a saúde e o desenvolvimento emocional da criança a longo prazo. Se as lembranças forem boas são capazes de melhorar o comportamento, mas se forem ruins podem desencadear até problemas psicológicos.

“Esse estudo mostra a importância de um ambiente saudável e acolhedor dentro de casa. Durante a infância, a criança absorve todas as informações e sensações do lugar onde vive e das pessoas próximas, principalmente dos pais”, diz a psicóloga Saada Resende, especialista em neurologia, do Hospital Samaritano (SP). Se você estava em dúvida se seu bebê ia aproveitar uma exposição de arte ou uma viagem, é hora de começar a organizar as malas. É assim que seu filho vai construir as primeiras lembranças

Fonte: CRESCER

terça-feira, 11 de maio de 2010

Se bem utilizada, internet pode ajudar alunos na escola


Aos olhos de muitos pais e professores, internet e estudo nunca foram uma boa combinação. Bate-papos virtuais, sites de jogos online e outras "diversões" da rede são constantemente associados a notas e rendimento escolar baixos. Mas nem tudo na web é prejudicial ao aluno: diversos sites permitem que estudantes, de um jeito mais divertido, tenham contato com temas considerados difíceis em sala de aula.

"A internet já é uma realidade em praticamente todas as casas e isso não pode ser ignorado. Se bem utilizada, pode ser uma ferramenta muito útil de auxílio ao aluno", afirma a pedagoga Aline Feijó.

Ao navegar pela rede, crianças e adolescentes encontram um verdadeiro arsenal para auxiliar em pesquisas e trabalhos escolares. O Museu da Língua Portuguesa (museulinguaportuguesa.org.br), em São Paulo, traz em seu portal informações sobre exposições, fotos das dependências do local, além de textos que podem ajudar os estudantes na hora de fazer uma redação.

Se a dúvida for sobre História do Brasil, a página do Museu Histórico Nacional (www.museuhistoriconacional.com.br), no Rio, possui amplo arquivo sobre fatos e acontecimentos relevantes da história do país.

Para Bruno Engel, 11 anos, a internet é um poderoso aliado dos trabalhos solicitados por professores em sala de aula. Por isso, sempre que precisa se aprofundar mais sobre determinado assunto, recorre a sites de pesquisa como Google (www.google.com.br) e Wikipedia (www.wikipedia.org).

Pesquisas na rede
"É muito melhor do que pesquisar em jornais e revistas, que podem não falar sobre o assunto que eu preciso. A internet é mais rápida", explica. Além de ajudar o aluno, pais e professores também costumam recorrer ao Google para evitar que recursos com o copiar e colar sejam utilizados por estudantes.

"Geralmente acompanho a pesquisa junto com meu filho. Mas mesmo assim, depois que ele termina, costumo jogar alguns trechos do texto no Google para ver se ele não copiou na íntegra, ao invés de apreender o sentido e fazer sua própria redação", revela Ana Cristina Fiedler, mãe de Bruno.

Para estimular a criatividade, alguns sites apostam na interatividade para conquistar usuários mirins. É o caso da Máquina de quadrinhos (www.maquinadequadrinhos.com.br), que disponibiliza personagens da Turma da Mônica para que aspirantes a escritor possam desenvolver suas próprias histórias em quadrinho.

Se o objetivo do aluno for saber um pouco mais sobre temas como ecologia, saúde, e ainda conhecer a realidade de comunidades de baixa renda, o site Cambitolândia é o endereço ideal. Com jogos, histórias e diversas atividades interativas, a página do personagem Cambito tem tudo para divertir - e ensinar - crianças e adolescentes.

Consideradas as grandes vilãs pela maioria dos estudantes, matérias como Matemática, Física e Química podem ser aprendidas de um jeito mais divertido. O Ministério da Educação (http://rived.mec.gov.br/site_objeto_lis.php ) e a Escola do Futuro da USP (http://www.labvirt.fe.usp.br/indice.asp )criaram, em seus respectivos portais, jogos interativos que ensinam noções destas matérias aos estudantes.

Apesar de tantos atrativos, a internet não deve ser utilizada sem um monitoramento de pais e professores. Estabelecer um limite máximo de horas passadas em frente à tela do computador é um dos maiores dilemas entre pais e filhos.

"Apesar de sites divertidos e ferramentas de auxílio para pesquisas, a criança e o adolescente não podem esquecer-se de praticar um esporte, ler um livro e sair com os amigos. A internet deve ser apenas mais uma delas", afirma Aline.

Fonte: Terra.com

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Bebês sabem a diferença entre o bem e o mal


Aos 6 meses, é provável que seu filho já saiba sentar, engatinhar e balbuciar as primeiras sílabas. Mas, segundo um estudo feito pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, ele já saberá distinguir o bem e o mal. Para chegar a esse resultado, os cientistas contaram histórias com fantoches com a mesma fisionomia para bebês de 6 meses. Os bonecos tentavam subir uma montanha. Um dos fantoches ajudava o boneco que estava tentando escalar enquanto um outro tentava derrubá-lo. Depois de assistir ao show várias vezes, todos os bebês mostraram uma clara preferência para o brinquedo que estava tentando ajudar o outro. Algumas crianças chegaram até a bater no fantoche ruim.

Segundo o coordenador da pesquisa, o professor de psicologia Paul Bloom, existem cada vez mais evidências que mostram que os seres humanos têm um senso moral rudimentar desde o início da vida e que vai se aprimorando com o passar do tempo. Outro dado da pesquisa, e que não é nenhuma novidade para você, é que as atitudes dos pais influenciam o aprendizado dos filhos.


Fonte: CRESCER Revista

domingo, 9 de maio de 2010

Bruxas, monstros e morte

Por Rosely Sayão

A mãe de uma garotinha de quase quatro anos escreveu para contar que estava considerando a possibilidade de tirar a filha da escola. O motivo? A professora conta histórias para as crianças que tratam de morte, falam de monstros, bruxas e de todo tipo de ser imaginário. Para essa mãe, isso gera medo e angústia na filha e, por isso, ela tem pesadelos frequentes. Como nossa leitora não está sozinha nesse tipo de pensamento, vamos conversar a respeito.

Temos feito de tudo para evitar que a criança sofra, não é? Ou, pelo menos, tentamos evitar que elas tenham contato com tudo o que julgamos que pode gerar dor, ansiedade, angústia e outros sentimentos semelhantes. O tema emblemático nesse sentido é a morte. Escondemos a morte das crianças: esse não é mais um tema de conversa entre pais e filhos, elas não mais participam de velórios e funerais, evitamos que assistam a filmes ou ouçam histórias que trazem a ideia de morte à tona.

Conheço uma mãe de duas crianças pequenas que assiste a cada filme infantil antes de seus filhos para averiguar se não há cenas que assustam ou trazem a presença da morte. Ela não deixou os filhos assistirem à animação "Procurando Nemo" porque a mãe do peixinho morre e ela não achou adequado que as crianças fizessem perguntas sobre isso. Consideramos esse assunto muito pesado para elas e, por isso, procuramos poupá-las dele, como se isso fosse possível. É preciso saber que não é.

Não são as histórias com seus enredos e personagens que criam para a criança conflitos, medos e angústias e tampouco apresentam a ela o tema da morte. Essas são questões humanas e, ao contrário do que alguns pensam, os personagens fantásticos e as tramas dessas histórias ajudam a criança a encontrar caminhos para entender e superar, pelo menos temporariamente, o que sente.

A atitude chamada "politicamente correta" de transformar histórias e lendas infantis de modo a subtrair delas o que consideramos que possa fazer mal à criança ou sugerir o que consideramos "maus exemplos" não faz o menor sentido. Será que esquecemos que o que pode fazer mal a elas é o que está presente na realidade do mundo adulto, agora totalmente acessível a elas?

Não é hipócrita não mais cantar "Atirei um pau no gato", mas permitir que as crianças assistam a campeonatos de futebol em que jogadores intencionalmente se agridem para levar vantagem? Não é curioso evitar que elas ouçam histórias de bruxas que perseguem crianças, mas permitir que assistam a noticiários que mencionam assassinatos e abusos sexuais de crianças?

Que as bruxas, os duendes e os monstros, as madrastas malvadas e as crianças órfãs habitem o imaginário de nossas crianças é tudo o que podemos desejar. É que nesse mundo, diferentemente do mundo adulto, elas contam com as fadas e suas varinhas de condão, com os príncipes que salvam as princesas do sono eterno e, principalmente, com um final em que o bem vence o mal.

Perdão as Mães

Por Rosely Sayão

Como a data em que se comemora o Dia das Mães está próxima, quero aproveitar e, em nome de muitas escolas, pedir perdão a mulheres que têm filhos que frequentam todos os níveis do ensino básico e da educação infantil.

Senhoras mães: perdão por reclamarmos de seus filhos, por muitas vezes sugerirmos que eles possam ter algum problema emocional, físico ou intelectual e até solicitarmos que eles sejam levados a algum especialista.

É que nossa tradição é a de lidar com alunos exemplares ou medianos, os quais não nos convocam a pensar, refletir ou agir de modo diferente do que estamos acostumados. Então, para evitar que eles revelem as nossas falhas e os nossos limites, adotamos essa postura de creditar a nossos alunos -os seus filhos- alguns defeitos que precisariam ou deveriam ser consertados.

Senhoras mães: perdão por invadirmos tanto a privacidade de sua família, por fazermos tantas perguntas com a finalidade de ter informações que nem usaremos em benefício de seus filhos no exercício de nossa função.

Afinal, saber se nosso aluno foi desejado como filho, como vivem seus pais e quais os problemas que enfrentam e conhecer alguns segredos familiares, por exemplo, não facilita nosso trabalho pedagógico com os alunos, por mais que digamos que sim.

Senhoras mães: perdão por julgarmos e criticarmos a maneira como cuidam de seus filhos e os educam. Demos para acreditar e nem sabemos ao certo o porquê que sabemos mais do que vocês a respeito da educação familiar e nem nos damos conta de que, com os nossos próprios filhos, muitas vezes nos comportamos do mesmo jeito que vocês. Temos nos confundido no exercício de nosso papel e não raras vezes queremos educar vocês em vez de ajudarmos os nossos alunos.

Senhoras mães: perdão por enviarmos tantos bilhetinhos e correspondências na agenda a respeito do que se passa com seu filho na escola, convocarmos sua presença para tantas reuniões coletivas e algumas pessoais e, inclusive, solicitarmos sua intervenção em assuntos que, na verdade, são entre seu filho e a escola.

O problema é que não sabemos mais ao certo como lidar com crianças e adolescentes, não conseguimos encontrar estratégias para resolver as situações problemáticas diretamente com eles aqui no espaço escolar e, por isso, apelamos para sua intervenção na esperança de que as coisas se resolvam dessa forma.

Senhoras mães: perdão por fazermos vocês pensarem que a vida escolar de seus filhos é a coisa mais importante da vida e, assim, contribuirmos para que a função materna fique tão parecida com a função docente.

Por fim, perdão por insistirmos nessa história de comemoração do Dia das Mães e, assim, colocarmos tantas mulheres em situações difíceis perante seus filhos.

Esquecemos que muitas delas não podem por razões que nem nos interessam -ou não querem- comparecer às festas que programamos com o intuito de agradar as mães de nossos alunos. E nessa hora -devemos reconhecer- nem nos lembramos de que não faz parte de nossas funções promover esse tipo de atividade.

Sabemos que pedir perdão é pouco, senhoras mães. Por isso, nos comprometemos a fazer uma reflexão crítica de nosso trabalho.

sábado, 8 de maio de 2010

Televisão prejudica o desempenho escolar


Você controla o tempo que seu filho assiste à televisão? Não?! Uma nova pesquisa, feita pela Universidade de Montreal, Canadá, mostrou que crianças que passam muito tempo em frente à TV têm mais dificuldade de aprendizado. Participaram do estudo cerca de 1.300 crianças com idade entre 2 e 4 anos. Os pesquisadores perceberam que as que ficaram muito tempo em frente à tela prenderam menos. O rendimento em matemática cai 6%, a participação em sala de aula diminui em 7% e as chances desta criança ser vítima de bullying aumentam em 10%.

Para chegar a esta conclusão os pesquisadores aplicaram um questionário aos pais das crianças para saber quantas horas por dia as crianças passavam diante da TV. Na segunda fase do estudo os pequenos foram submetidos a avaliações de desempenho. Dessa forma, eles conseguiram mensurar os impactos da exposição. “O problema não é a televisão em si, mas o tempo que a criança perde com ela. Elas devem ser estimuladas a fazer outras atividades que exijam mais criatividade e interação”, diz Quézia Bombonato, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Mas proibir seu filho de ver televisão não é a melhor solução, não. Como tudo na vida, é preciso encontrar um equilíbrio. Estipular horários para os desenhos, por exemplo, pode ser um caminho. A Academia Americana de Pediatria afirma que as crianças não devem passar mais do que duas horas diante da TV.

Menos comunicação

A fala e a audição também podem ser prejudicadas com o excesso de exposição à televisão. É o que mostrou um estudo realizado no Seattle Children's Research Institute, nos Estados Unidos. Tanto as crianças quanto os adultos conversariam menos na presença do som de uma TV. Os especialistas já sabiam que a exposição televisiva durante a infância está associada com atrasos na fala e no trabalho do cérebro, mas não conheciam a razão. Esta pesquisa é a primeira pista sobre o assunto.

Nela foram analisadas 329 crianças entre 2 meses e 4 anos de idade. Elas usaram, durante dois anos por até 16 horas diárias, um colete especial com gravadores digitais que captavam sua fala, a dos adultos ao seu redor e o som da TV. E o resultado foi espantoso: a cada hora de televisão assistida, 770 palavras a menos a criança ouvia. Como, segundo o coordenador da pesquisa, Dimitri A Christakis, um adulto fala em média 941 palavras por hora, isso significa que eles quase não falam quando a televisão está ligada.


Para Christakis, esse resultado pode explicar a associação entre exposição televisiva infantil e retardo no desenvolvimento da linguagem, atrasos cognitivos e até deficit de atenção, já que a fala é essencial para o desenvolvimento cerebral.

Para a equipe de Neurologia Infantil da UNESP-Botucatu, em São Paulo, o resultado da pesquisa não pode ser visto como conclusivo. "Pela técnica usada, não dá para ter certeza se a criança estava assistindo televisão ou apenas no mesmo ambiente. Também não dá para saber que tipo de programa passava. Mas um dado interessante é que com a TV ligada, assistindo ou não, os adultos falam menos e isso realmente pode interferir no desenvolvimento dela. Já está provado pela ciência que quanto mais estímulos, conversas e brincadeira um bebê tem, melhor será o seu crescimento", diz a neuropediatra Lara Cristina Antunes dos Santos. "Para o estudo ser mais completo, os especialistas deveriam realizar uma avaliação posterior do desenvolvimento de cada criança".

Fonte: Crescer Revista