terça-feira, 6 de julho de 2010

Abuso de álcool causa danos ao cérebro de adolescentes

DA NEW SCIENTIST

Um estudo realizado no Instituto de Pesquisa Scripps em La Jolla, na Califórnia, com macacos adolescentes revelou que beber excesso em idade precoce pode causar danos permanentes ao cérebro.

Os piores danos impedem que as células-tronco se tornem neurônios no hipocampo, área do cérebro responsável pela memória e consciência espacial.

Como os cérebros dos macacos e dos humanos se desenvolvem da mesma maneira, a pesquisa sugere que efeitos similares podem ocorrer em adolescentes humanos.

Assim, o estudo reforça o argumento da política antiálcool dos EUA e outras que visam aumentar a idade mínima para os jovens começarem a beber.

INÍCIO PRECOCE

A equipe da pesquisadora Chitra Mandyam serviu bebidas alcoólicas de sabor cítrico a quatro macacos rhesus por uma hora ao dia durante um período de 11 meses. Dois meses depois, os animais foram sacrificados e seus cérebros foram comparados aos dos macacos que não haviam consumido álcool.

Os macacos que bebiam regularmente tiveram de 50% a 90% menos células-tronco em seu hipocampo, em comparação aos outros. "Vimos uma queda profunda nas células vitais", disse Mandyam.

"É importante saber que o ato de beber com frequência pode matar células-tronco. A perda resulta em danos à memória e a habilidades especiais", acrescenta.

EFEITOS DURADOUROS

Mandyam acredita que a degeneração pode ter efeito a longo prazo e explica a razão pela qual adolescentes boêmios são mais propensos a desenvolver dependência de álcool quando adultos.

Uma nova medida para combater o consumo de álcool entre menores de idade foi lançada no início deste mês pela Academia Americana de Pediatria (AAP). Ela se baseia em resultados de estudos anteriores que mostraram que 41% das crianças que começam a beber regularmente aos 12 anos de idade desenvolvem dependência ao longo da vida, em comparação a 11% das pessoas que começam a beber aos 18.

"Os resultados apoiam os esforços do US Surgeon General para aumentar a idade mínima que permite que os jovens comecem a beber", disse Ellen Witt do Instituto Nacional de Abuso do Álcool e Alcoolismo dos EUA em Bethesda, Maryland. "Também é importante reconhecer que bebedeiras podem gerar consequências negativas no cérebro, independente da idade."

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